Segundo Mario Vianna, existem seis qualidades para ser um bom juiz de futebol.
1 – Ser moralmente forte e de moral limpa;
2 – Ser completamente imparcial;
3 – Ter excelente preparo físico;
4 – Ser humilde;
5 – Não querer aparecer como dono do jogo.
6 - A essas cinco qualidades, pode ser acrescentada uma outra: coragem. Juiz que tem medo de apanhar, não vai além na profissão. (Roberto Goicocheia)
Coisas do Mário….
1 - Em campo, fazia de tudo: peitava, gritava, agredia até. Era seu jeito de se fazer respeitado por todos. Mário Gonçalves Vianna tinha 1.74m de altura e pesava 90 quilos de uma vitalidade que impressionava a todos que o conheceram. Mário Vianna foi de tudo um pouco: baleiro, engraxate, jornaleiro, empacotador de velas, fiscal da guarda civil, polícia especial, juiz de futebol, técnico do Palmeiras, Portuguesa e São Cristóvão, e finalmente, comentarista de arbitragem na Rádio Globo. (Jornal dos Sports).
2 - Mário Vianna nunca foi homem de meias-medidas. Foi responsável pela única expulsão de Domingos da Guia em onze anos de carreira. Também teve uma passagem com Nilton Santos no clássico Botafogo x Vasco. Atendendo a uma denúncia do bandeirinha, expulsou Nilton Santos que era um gentleman, por ofender o auxiliar. Mário achou estranho o caso e, nos vestiários pressionou o bandeirinha que terminou confessando que tinha mentido. Ele ficou sem graça, foi ao vestiário do Botafogo e pediu desculpas à Nilton Santos. (Jornal dos Sports)
3 - Durante a Copa do Mundo de 1954, no jogo Brasil x Hungria, chamou o juiz Mr. Ellis e os dirigentes da FIFA, de camarilha de ladrões. Foi expulso do quadro de árbitros da entidade. Quando já era comentarista de arbitragem na Rádio Globo, quase perdeu o emprego por duas vezes. Na primeira, disse que o juiz Abraham Klein, além de judeu era ladrão. Os patrocinadores do programa eram, como Klein, judeus. Outra vez, numa mesa redonda na TV, sentiu-se asfixiado pela fumaça dos cigarros que os companheiros fumavam. E Mário Vianna desabafou Parem de fumar, isso é um veneno, polui os pulmões. O patrocinador do programa era a Souza Cruz, fabricante de cigarros. (Jornal dos Sports)
4 - Mário Vianna, considerado um exemplo de arbitragem, tem histórias famosas. Uma delas diz que, antes das partidas, ele passava o tempo no vestiário girando em torno de um círculo imaginário, batendo no peito e dizendo com força:
Eu sou Mário Vianna, Vianna com dois enes, símbolo do juiz honesto… Eu sou Mário…
Assim adquiria forças para não errar, como naquele jogo entre as seleções do Chile e da Colômbia. Aos poucos a partida foi tornando-se ríspida. Mário percebeu a ameaça de briga e não deixou por menos: cerrou os punhos e avisou aos jogadores:
Eu acerto o primeiro que quiser brigar.
Ninguém brigou.
5 - Mas o melhor exemplo de interpretação da regra do jogo foi dado em 1955, no Pacaembu, pelo próprio Mário. Jogavam Palmeiras e São Paulo e o ponta-esquerda Rodrigues, do Palmeiras, cruzou uma bola alta para a área. Clélio tentou alcançar a bola com as mãos e não conseguiu. Mário apitou pênalti e quando foram reclamar, com sua voz potente não deixou por menos:
Não tocou na bola, mas teve a intenção. É pênalti. Não admito discussões.










